terça-feira, 25 de outubro de 2011

A visão do profeta e o vale de ossos secos

"E veio sobre mim a mão do Senhor; e o Senhor me levou em espírito, e me pôs no meio de um vale que estava cheio de ossos, E me fez andar ao redor deles e eis que eram mui numerosos sobre a face do vale e estavam sequíssimos." Ez. 37.1-2


  Ao observarmos o texto Ezequiel 37 quando o profeta é levado à dimensão de um vale, talvez surja uma pergunta dentro de nós: o que seria o vale? Qual é a simbologia de um vale? Que situações em nossas vidas realmente se configuram num vale? Biblicamente um vale é representado por lugar de desafios (Is 22.1), instantes de conflitos e de crises (Sl 23.4), lugar de decisão (Jl 3.14), mas, também, é lugar onde Deus se manifesta de forma poderosa (Is 40.4/ Lc 3.5).
  Quando a mão de Deus arrebata o profeta a um lugar talvez desconhecido pelo povo de Israel, numa experiência sobrenatural. Ezequiel recebe algo que nenhum outro homem viveu, algo que mexeu com as estruturas e com a visão do profeta, realidade que neste momento da história ninguém poderia enxergar, perceber e sentir, e olha que Ezequiel  já tinha passado por tantos momentos de dificuldades.
  No vale de ossos secos somente o profeta enxerga vida. Somente ele discerne a intenção de Deus em levá-lo àquele lugar. Às vezes o Senhor escolhe lugares inesperados para nos ensinar a proferir, declarar e viver o milagre de Deus. Quando Deus nos leva a um lugar( vale, deserto, monte) precisamos entender que o lugar é o que menos importa para o agir do Senhor, ELE manifesta sua glória no Deserto (Moisés/ Elias) na caverna (Davi/ Elias), no vale (José/ Ezequiel) só é necessário crer no direcionamento do Senhor.
   Talvez no instante em que Ezequiel se encontrou naquela situação, ele tenha pensado; “Senhor eu só vejo ruína a minha volta; estou rodeado de morte e de fracasso e não vejo aqui nenhum sinal de vida”. Mais Deus sempre nos surpreende, o Senhor queria ir além na vida do profeta, o Senhor diz a ele: “acaso poderia viver estes ossos”? Quando o desafio de Deus é lançado sobre as nossas vidas precisamos fechar os olhos para a insegurança, abrir os ouvidos para o comando do Senhor, sentir o pulsar de Deus sobre nosso coração e declarar a vitória. (Davi fez isso contra o gigante)
  Ezequiel estava no meio de um vale onde as condições eram profundas, como se já tivesse passado décadas e mais décadas que aqueles ossos estivessem ali (Vs. 1), o profeta andava ao redor deles (Vs.2) mergulhado naquela situação, mais mesmo assim, havia algo diferente no coração do profeta. Não foi a imagem dos ossos, da tristeza e do domínio de morte que poderia parar a ação de Deus e a voz do profeta. “Quando a voz do profeta anuncia a ação de Deus milagres acontecem”.
   A visão do profeta e seu diálogo com Deus descrito nos primeiros versos deste profundo texto nos ensinam alguns princípios que nos levarão a mudar o cenário do vale (lugar de crises):

1- O coração do profeta: O coração de Ezequiel não estava abalado pela forte situação que os seus olhos enxergavam, o coração do profeta estava na palavra, no comando de Deus. Quando o Senhor pergunta a Ezequiel se os ossos poderiam voltar a vida, ele responde convictamente e com o coração cheio do conhecimento de Deus “tu o sabes Senhor”. Em muitas situações de crises não conseguimos perceber a ação de Deus porque nossos sentimentos permanecem abalados. “Quem decide viver a crise fecha os olhos para a ação de Deus”. Esta é uma verdade presente na vida de muitos homens e mulheres, de pastores e lideres que quando entram numa crise, parece até ter esquecido do que viveram com Deus. "A frsutração que toma o lugar da motivação consome o que somos em Deus".
 2- A palavra do profeta: “Profetiza filho do homem” a palavra do homem Ezequiel revelava mais do que o desejo do profeta, a palavra declarada trazia a ação de Deus sobre aquele lugar, é como se os céus estivessem decido sobre o vale. O profeta lançou a palavra como Deus tinha liberado ao seu coração (VS.7). Quando nós conhecemos a vontade de Deus, se torna mais claro dentro de nós o que precisamos fazer”. O grande problema em nossas orações é que por muitas vezes estão carregadas de nossos sentimentos, paixões e vontades, enquanto o ideal é conhecermos os planos e a vontade de Deus (Pv 16.3).
3- A visão do profeta: Os olhos do profeta por mais que estivessem contemplando um milagre, o sobrenatural de Deus estava pra acontecer, e a visão de Ezequiel estava respaldada na palavra. Os seus olhos estavam fixos no mover e na ação do sopro (Espírito do Senhor). “eu olhei e eis que vieram nervos sobre eles, cresceu carne e estendeu-se pele sobre eles” (Vs 8). Crer no milagre é manter o olhar fixo na ação de Deus.

Conclusão

   A visão do homem de Deus precisa estar fixada não no lugar da dor, no meio do vale, ou dentro dos reflexos de uma crise, mais sim na dimensão do reino de Deus que se estabelece quando clamamos por ELE, e agimos pelo seu poder que opera em nós. Pensar no mover de Deus sobre nossas vidas, é agir como homem de natureza simples, viver o mover de Deus, é agir como profetas. O vale só permanece sem milagre algum quando não declaramos o poder de Deus.


Eugenio Serlam

sábado, 15 de outubro de 2011

EXEMPLO DE SUPERAÇÃO & FÉ

Chuva no sertão; Sinônimo de bênçãos para um povo


"E vós filhos de sião, regozijai-vos e alegrai-vos no Senhor, vosso Deus, porque ELE vos dará ensinador de justiça e fará descer a chuva, a temporã e a serôdia, no primeiro mês. E as eiras se encherão de trigo, e os lagares tranbordarão de mosto e óleo". Joel 2.23-24

    
  O que seria da terra se não fossem as chuvas que descem dos céus para regar, preparar para o plantio, trazer sustentação às fazendas, gerando, assim, o fruto da terra, o que seria do homem sem as chuvas que molham a terra seca do seu coração? As chuvas iniciaram em nossa terra, já podemos perceber que os brotos (plantinhas) de milagres já começaram a surgir de uma terra que ontem estava seca, aparentando pobreza, escassez, e por muitos instantes até a morte.
  No sertão já se pode ouvir o barulho das águas a correrem pela terra, a tocar em nossos telhados, certeza que gera em nossos corações a convicção de que Deus está derramando sobre o seu povo da chuva temporã que vem no tempo certo a preparar a terra, anunciando, assim, a chuva serôdia que vem tardiamente, as últimas chuvas, movimento que comprova a fidelidade do Senhor. Que as águas de Deus possam alcançar os homens e as mulheres, todo este povo que precisa realmente de milagres. E como diz a canção: “deixa a água descer, deixa a chuva molhar e encharcar esta terra seca”.
  Quando o profeta Joel escreveu sobre a chuva serôdia e a temporã, Judá vivia uma época de devastação, uma grande praga tinha aniquilado toda a vegetação, pastagens, e por causa disso as perdas foram incalculáveis para aquele povo. A fome, escassez e seca pro toda a parte, este era o cenário de Judá, retrato parecido com o sertão. Mais quando o profeta convoca o povo ao arrependimento, ao choro e à humilhação o Senhor houve, e começa a transformar as ruínas em lugares de prosperidade.
  
  Ao cair à chuva temporã e a chuva serôdia sobre Judá tudo seria restituído em justa medida, um novo tempo presente sobre aquele povo, sobre toda uma geração, a produzir tudo aquilo que o povo necessitava “Vos envio trigo, o mosto e o azeite e dele sereis fartos” (Joel 2.19). Produtos gerados pela chuva de Deus.
  Hoje o sertão que era da idolatria, está sendo transformado no lugar da adoração, por isso percebemos o barulho da chuva, o soprar do vento, a direção de Deus em tudo aquilo que fazemos, pedimos ou pensamos. 
  Choramos, pedimos e estamos levando o povo ao arrependimento, esta é a geração que Deus desejou que fizéssemos parte, a geração resposta, filhos da promessa, homens compromissados em lançar as sementes, esperando dos céus o movimento das águas, que caiam, então, dos céus CHUVAS DE BENÇÃOS SOBRE NÓS.


Eugenio Serlam

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Piauí lugar de missões, terra de milagres


Se o meu povo que se chama pelo meu nome se humilhar e orar e me buscar, e se arrepender dos seus pecados e mudar os seus caminhos, EU ouvirei dos céus as suas orações, perdoarei os seus pecados e sararei a sua terra (2Cr 7.14)

  Entre uma terra dividida que vai do litoral ao sertão, beirando o serrado que por sua vez vislumbra as águas do Parnaíba existe um povo que abraçou o apostolado, decidindo fazer missões, proclamando sob os corações de um povo sofrido, o desejo contrito por amar o nosso salvador e Senhor Jesus Cristo.  Piauí terra querida, terra dos evangelistas, dos pregadores descalços, que em meio a todos e percalços, lançam em terra fértil a semente de boas novas.
 O Piauí sem dúvida alguma tem o povo que se chama pelo nome de Deus (Israel), e se consolida por um vento (espírito de vida) que vem dos quatro cantos, anunciando que as chuvas estão para chegar, a temporã e a serôdia pra molhar o solo, pra fazer brotar a erva e se consolidar frutos, missões, um povo e uma NAÇÃO.  A bandeira do evangelho que finca suas estacas nos quatro cantos deste solo tremula sob o impacto do vento que gera fôlego e que muda o vale e que transforma vidas.
  Estamos crendo e percebendo, hoje, pelos lugares que percorremos aqui na nossa região (sertão) que o povo já é contado como multidão. Mais percebemos, também, que em muito desses lugares não há PASTORES, e o aprisco permanece desprotegido e as ovelhas não sabem pra onde ir, não tendo a quem ouvir. Por isso nós clamamos por pastores, evangelistas, missionários e mantenedores que amam esta terra e que desejem viver para o Senhor proclamando MILAGRES nesta terra abençoada chamada PIAUÍ.
  Quando se deseja fazer missões, andar em muitos momentos, a pés descalços, sem bolsa e nem alforje como na missão dos setenta (LC.10) estamos evidenciando um CHAMADO, declarando que somos a escolha (resposta) de Deus para toda uma geração, isso é cumprir o IDE. Então que se levantem os missionários, pastores, profetas, ministros, homens e mulheres de todos os lugares para juntos proclamar o REINO DE DEUS neste lugar.

Exerça o seu chamado, Renove o seu ministério, faça missões!

Eugênio Serlam



segunda-feira, 3 de outubro de 2011

As duas faces do ministério de Elias: O desejo pela vida ou o caminho para a fuga


I Rs 19.1-7
  Quando estudamos o livro dos Reis de Israel observamos a atuação impactante de um dos maiores profetas mencionado na escritura sagrada (Bíblia), este homem era Elias Homem nascido nos entorno de Gileade, numa cidade por nome Tisbé, daí seu reconhecimento  como Elias o tisbita.
   Elias é visto como profeta diferenciado, corajoso, audacioso e temente a Deus. Homem Pela qual o poder de Deus se manifestava de maneira intensa. Elias o profeta que ressuscitou um morto (I Rs 17.21) O homem que quando orava fazia chuva ou fogo descer dos céus (I Rs 17.1/ 18.37-38) Elias profeta que derrotou maravilhosamente os profetas de baal. Grandes marcas de vitórias marcaram o ministério de um profeta que tinha no seu DNA a essência do Deus vivo, mas este mesmo Elias era o homem que fugiu de uma forte e aparente situação de confronto.
   Em muitos instantes de nossas vidas nos assemelhamos ao Elias de alma frágil, quando olharmos para as circunstâncias, as angústias, os fracassos, e as decepções e fugimos, talvez por acharmos que esta é a mais curta das tentativas. Fugir pelo medo de achar que não venceremos, ou que já não há mais em nós a força que outrora ardia em nossos corações. Um profeta de alma frágil é como um homem que vive simplesmente por viver.
   Quando olhamos para o Elias que foge, que sofre a nossa alma se abre para a compreensão do nosso ser, de nossas limitações, de nossas angústias, e de tantas fugas pessoais. Neste instante surge uma pergunta: Quem nunca fugiu de uma determinada situação? Casamentos em ruínas/ traumas de infância/ o fracasso empresarial/ os momentos de humilhação/ a enfermidade que arde no corpo/ a desestruturação familiar/ Quem nunca teve um motivo para fugir? Uma caverna que pudesse abrigar a nossa dor, medo e cansaço? O rei Davi buscou a caverna em quanto era perseguido por Saul (I Sm 22) Jefté depois que foi expulso de sua casa, fugiu e foi fazer aliança com marginais e inimigos do seu povo(Jz 11.3).
   O grande problema no ato de fugir é que a fuga não resolve o problema. O Pr. Wendell de carvalho diz que “a fuga é um paliativo que não gera a cura definitiva. A fuga de Elias representava mais do que se esconder dos problemas, ele estava desistindo de si mesmo, revelando a outra face do seu ministério, o coração cansado e uma alma fragilizada pelas circunstâncias.
  Elias estava vivendo sob um grande impacto da crise, a sobra das ameaças de jezabel, o caminho da solidão o peso do deserto, sinais que muitas vezes paralisam a fé e a ação do profeta. Às vezes digo nos lugares que prego que “viver na sombra da própria vida é desistir de si mesmo” Elias estava vivendo sobre a sombra da vida que outrora ele vivia, por isso se sentiu fragilizado diante das tribulações.
   Em meio a todas estas circunstâncias do desespero de Elias, percebemos algumas das atitudes do profeta que destacamos:
1.      A fuga para o deserto- O desejo pela solidão mesmo depois de uma triunfante vitória, pois Elias tinha acabado de vencer os profetas de Baal quando decide andar a caminho do deserto.
2.      O ânimo fragilizado- A alma de Elias, o coração, os sentimentos estavam abalados em meio as ameaças, e a situação que o profeta se encontrava.
3.      A alma que desejou a morte- Elias não poderia morrer ali, do mesmo jeito que voe não pode ficar onde está. Existe mais de Deus vindo em nossa direção.
4.      O sono, a personificação do cansaço- O sofrimento era tão evidente na vida de Elias que o seu corpo cansado já não suportava mais o fardo angustiante. Elias dormiu, talvez, na tentativa da não mais se deparar com a extrema dor que ele estava vivendo.
   Em alguns instantes de nossas vidas nos sentimos tão desanimados, assim, como Elias. Mas em tais circunstâncias o Senhor sempre intervém e nos faz descansar em sua presença. Reflexos da ação de Deus que se move entre o providencial e o necessário:
1.      Houve um toque na vida de Elias- O despertar do homem para enxergar a ação de Deus.
2.      O pão e a água- Enquanto o profeta imaginava que ali seria o seu fim, pois ele pedira a morte, Deus tinha um plano diferente. Sustentação a pão e água fala sobre os elementos simples que o corpo precisa para se manter forte/ Pão e água “é aceitar o simples sabendo que este te torna forte para o caminho que está adiante”.
3.      A visão do caminho- Enquanto o corpo de Elias voltou à mergulhar no sono, depois de ter se alimentado, o senhor Deus o desperta e diz é longo o teu caminho, é grande a tua vitória, sou EU que te sustento e que te faço forte.
Conclusão
  O profeta, assim, compreendeu no mais íntimo de sua alma que precisava descansar em Deus, levantar, olhar para frente e andar em direção ao alvo. Não podemos dizer que as crises são irrelevantes, mais podemos afirmar que Deus sempre nos movimenta ao caminho de excelência preparado por ELE. As crises são necessárias, porém a presença de Deus é o que realmente faz a diferença. 



*Baseado no livro do Pr. Wendell de carvalho A alma do profeta: o dia em que Elias desejou morrer.