quarta-feira, 14 de novembro de 2012

As marcas da Opressão: A perda de uma Identidade

Texto base: Lucas 8;26-39

 A palavra identidade tem origem no latim do latim “identitas” o conjunto das características e dos traços próprios de um indivíduo. Também é a consciência que uma pessoa tem dela própria e que a torna em alguém diferente das outras. Neste sentido, a identidade está associada a algo próprio, uma realidade interior que pode ficar oculta atrás de atitudes ou comportamentos que, na realidade, não são próprios da pessoa. 
   No livro de Lucas encontramos uma narrativa muito forte e impactante, a descrição da libertação de um homem que por muito tempo estava aprisionado. Um homem que possuía todos os sintomas de fracasso e que aparentava marcas internas e externas de uma profunda opressão, alguém que já não tinha mais nenhum reflexo da identidade que um dia ele possuiu. 
   Aquele homem com certeza tinha uma vida normal como qualquer outro homem do seu tempo, ele deveria ter uma família, esposa e filhos, casa, trabalho e amigos. Porém tudo arruinado pelas marcas de uma opressão, um estado de crise onde as emoções, razão e a força são controladas pelo inimigo. A situação na vida daquele homem era tão grave que ele tinha perdido até a sua identidade. Para os outros e para a sociedade ele se chamava endemoninhado, e quando Jesus lhe pergunta pelo sue nome, ele responde: Legião. 
   A perda de sua identidade revelava, também, perda dos seus sonhos, dos valores, da liberdade, dos vínculos afetivos a perda do direcionamento em Deus. Tudo havia sido tragado pelos sintomas da opressão. Em certa ocasião fui chamado para visitar uma pessoa que aparentava um nível de profunda opressão, e percebi naquele dia a dimensão do cativeiro que existe na vida de alguém que passa por esta situação.     

  Dentro do contexto histórico e espiritual desta narrativa, gostaria de citar algumas chaves importantes para o processo de libertação e restituição de uma identidade. 
A palavra como instrumento de autoridade- Jesus declarou profeticamente em três níveis a palavra da autoridade. Na repreensão da tempestade (Mc 4;39), determinando a posse territorial; Na repreensão dos espíritos malignos (Mc 5;8), determinando a libertação física e espiritual; Na liberação da promessa e ministério (Mc 5;19), O alvo do Senhor era muito mais do que simplesmente aquela vida, era, também, a sua casa e a sua região. 
A descoberta do cativeiro- Quando Jesus chega até aquela província, três coisas nos chamam à atenção. O pastoreio de porcos, os grilhões e/ou cadeias e a morada em sepulcros. O pastoreio de porcos simboliza a escravidão territorial, enquanto do outro lado do mar pastoreava-se ovelhas, ali se criavam porcos, Alguns escritores chegam a dizer que aquele lugar era conhecido como pátio do inferno. Os grilhões ou cadeias representam o nível de opressão sobre as vidas, Correntes sobre as mãos e sobre os pés símbolos de domínio e tortura. Por fim a morada em sepulcros que configura morte e desespero. È interessante dizer que após a libertação daquele homem toda a região tornou-se propícia ao evangelho e as maravilhas de Deus.
 O discernimento profético do momento- O propósito de Deus é o referencial e nunca as circunstâncias estabelecidas. O Pastor coty em seu livro a oração do justo diz que o discernimento profético do momento é a oração inteligente que traz a tona, revela a vontade e a mente divina, se antecipando ao inimigo e superando as circunstancias provenientes. A oração feita com o conhecimento da situação. 
   Jesus quando se encontra com aquele homem todo desfigurado e sem identidade, ele já manifesta a oração precisa com a mira certa, e o resultado vem de forma poderosa. Ninguém da região de gadara jamais tivera visto algo igual, o impacto da transformação foi mais poderoso do que todo o passado daquele homem.
   “E foram ter com Jesus, e viram o endemoninhado, o que tivera a legião, assentado, vestido e em perfeito juízo, e temeram”. A palavra perfeito estado traduz de forma minuciosa o grande agir de Deus que aconteceu na vida daquele que antes era sem identidade. As marcas da opressão foram apagadas, dando lugar aos sonhos de Deus que começaram a florescer na vida do agora missionário ( Mc 5;19), que voltando para sua casa tomou posse da restituição de tudo o que antes foi roubado. 

Pr. Eugênio Serlam

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